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WILLIAM E OUTRAS HISTÓRIAS

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Os jornais noticiam que o lateral direito William não aceitou proposta do Inter, para renovar seu contrato até 2021. E não a aceitou, porque estaria com a cabeça na Europa ou em outro Continente, que possa pagar aquilo que o William acha que vale. Esta história é velha e já tenho ouvido coisas iguais, desde que comecei a gostar de futebol e do Inter, ou seja, lá pelos anos 40 e 50. A cada início de ano, os clubes procuram aqueles que são considerados como “valiosos” e acenam com a renovação do contrato, por uma fortuna que o clube pensa que pode pagar. Simples assim. Infelizmente, não é assim que as coisas acontecem.

Antigamente, o contato com empresários ou com clubes do Brasil era uma tremenda mão-de-obra, com ligações telefônicas ruins, feitas aos berros, com estática. Ou então, por telegrama, fonograma ou carta, meios de comunicação que já estão extintos ou em vias de. As tais negociações tomavam dias e meses para serem concluídas. Quando dava para o empresário ou dirigente de clube vir a Porto Alegre, de avião, era um pinga-pinga num DC3 já batendo pino; uma verdadeira epopéia. Neste meio tempo, o jogador refletia sobre o que queria, o quanto pediria, enquanto que o clube vendedor, com o passe na mão, torcia para que a coisa desse certo, porque o dinheiro salvaria o ano. No nosso time, foi assim com Nena, Salvador, Oreco, Paulinho, Chinezinho e muito outros.

As tratativas se modernizaram ao longo do tempo. A única coisa que não se modernizou é o olho grande do empresário, do jogador, dos pais do jogador, da namorada/esposa dele e, às vezes, de algum amigo que ele levaria debaixo do braço, para onde fosse. E quando isto acontece, minha gente, o melhor é aceitar e deixar o garoto partir para outras plagas. Ficar no clube, emburrado, é o pior que pode acontecer. Eu me lembro do Alexandre Pato que se achava o Rei do Futebol, enfurnado num clube do sul do Brasil, sem contato com os grandes clubes do mundo, muito embora, naquela altura, o Inter já tivesse despachado o Barcelona, no Mundial de 2006. Ele queria ir embora de qualquer maneira, coadjuvado pelos pais, parentes, amigos e empresários. O Inter procurou reter o jogador para valorizá-lo ainda mais, mas não houve jeito. E o Pato se foi. Assim é o futebol de hoje em dia, ainda mais com a chegada, ao mercado, de clubes chineses atolados de dinheiro até o pescoço, loucos para levar todo mundo. Vejam o caso do Marinho, valorizado pelas atuações no recém terminado (graças a Deus!) Brasileirão. Flamengo, São Paulo, Palmeiras, até mesmo o tricolor, que está com os cofres cheios, segundo o Zini Pires, demonstraram interesse no cara. Ele deu um baile em todo os interessados e se mandou para o futebol chinês. O Vitória, time dele, ficou olhando o barco passar.

Se o William está com os olhos fixos nos euros e dólares do Exterior, o melhor é deixar que vá, desde que haja uma compensação financeira boa para o Inter, aqui e agora. Não podemos deixar este negócio demorar muito, porque senão acaba como o Ronaldinho Gaúcho, a pérola rara do tricolor, que passou a perna nos espertos do time dele, foi-se para o PSG e o tricolor ganhou uma flâmula do time francês. Voltando ao William, é bom que se diga que ele não foi esplendoroso no ano que passou, longe disto. Jogou muito bem uma partida ou outra, jogou mais ou menos em algumas do Campeonato Gaúcho, e , o resto do ano foi um desperdício de bolas lançadas ao espaço sideral, onde nem foguete pegava. Querem pagar 20 milhões de reais por ele ? Por favor, abram a carteira e onde é que eu assino ? No lugar dele, que venha um lateral jovem que esteja num clube qualquer, com boas referências, e que possa suprir aquela lateral, que andava meio abandonada, ultimamente. Além disto, é bom lembrar que a Lei do Passe morreu faz tempo e foi substituída pela Lei Pelé, que dá todas as vantagens ao jogador, em qualquer negociação.

O Inter se apresenta hoje, 11.01, com poucas novidades. O destaque ficou por conta da rescisão do contrato com o Alex, depois de anos de sucesso por aqui. Fez bem a direção, em rescindir o contrato com o Alex, que já desde o ano passado demonstrava uma inapetência com o futebol. Parecia não ter mais fôlego para 90 minutos, nem mesmo para 45; seus famosos gols de falta desapareceram. Mudando de ares, Alex poderá recuperar seu futebol. E nós ficaremos com a lembrança das coisas boas que ele fez no time colorado.

O Inter demonstra interesse no zagueiro Néris do Santa Cruz, de Pernambuco. Bastou o interesse para que os nossos isentos jornalistas perguntassem : “Pô, um zagueiro da defesa mais vazada do Brasileirão?!!”. Dou duas respostas para estes calhordas : Leonardo Moura e Lúcio. O Leo Moura veio para o tricolor agora, depois de fazer parte da defesa mais vazada do Brasileirão, onde jogou ao lado do Nèris. Ah, mas é um grande cara, agregador, simpático, bom colega e pode dar uma boa contribuição para o tricolor, segundo os calhordas. Aí está a prova – mais uma! – da parcialidade dos nossos jornalistas esportivos. Lúcio ? Por que o Lúcio?

Porque ele foi buscado num time de Brasília, que tinha tomado um 7 a 0 do Inter. Ele foi visto por dirigentes colorados, que enxergaram o potencial do jogador, a forma de jogar, a disposição na defesa, enfim, alguns atributos que o trouxeram para o Beira-Rio. Na época, também houve a “estranheza” dos jornalistas com um jogador nem um pouco conhecido e que havia engolido sete gols. E o Lúcio transformou-se no zagueiro que todos lembram, aguerrido, forte, antecipador, sem levar desaforo para casa, suando a camisa do Inter e da Seleção. Suas atuações o levaram para o Exterior, onde brilhou. Será que alguém contesta que o Inter foi inteligente quando trouxe o Lúcio ?

Até a próxima.

PAULO LONTRA