Jogador de grande técnica, raciocínio rápido e cobiçado mais uma vez nos últimos dias por outros clubes do Brasil, Valdívia vem sendo alvo de disputa e pode deixar o Inter a qualquer momento, segundo a própria direção. Mas será que vale a pena a diretoria do Inter se desfazer de um jogador tão valioso, sendo que ainda temos duas competições muito importantes para disputar e que um bom elenco sempre acaba pesando a favor?

Desde a Copa São Paulo de Futebol Júnior, atuando pelo Rondonópolis, já era possível observar que Valdivia era diferente dos outros. E após ser lapidado no colorado, ele mostrou seu verdadeiro potencial em 2015, sob o comando do uruguaio Diego Aguirre, hoje treinador do San Lorenzo, da Argentina. Naquele ano, Valdívia foi decisivo com gols e assistências em muitas partidas na campanha que nos levou a até a semifinal da Libertadores.

Seu ápice veio naquele 2015, no entanto, o contrário também ocorreu no mesmo ano. Atuando em um amistoso pela seleção olímpica do Brasil contra os EUA, em Belém, o PokoPika sofreu uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo, tendo que parar por seis meses. A partir daí, não foi fácil para ele voltar a ganhar confiança e ritmo de jogo. É claro que também 2016, o pior ano da nossa história, não ajudou em nada para que Valdívia voltasse a viver seus melhores momentos.

Mesmo ocupando reserva na atual temporada, seu talento acaba chamando a atenção de outros times, também, grandes do país. Muitos apontam que Valdívia precisa mais de confiança do que qualquer outra coisa. Mas isso cabe ao nosso treinador Zago colocá-lo nos seus melhores dias novamente, pois fisicamente ele se encontra apto e não sofreu com lesões em 2017.

Além da importância dele dentro de campo, nós colorados sabemos como a alegria de Valdívia contagia o vestiário. Além do videogame na concentração, o PokoPika também gosta de jogar poker (Texas Hold’em) para relaxar. A modalidade, a mais praticada globalmente no esporte, além de agregar pessoas, também promove a concentração e conceitos de estratégia, importantes também para qualquer modalidade esportiva. “O pôquer eu jogo bem e dou as cartas. Na pré-temporada no Costão do Santinho [Santa Catarina], eu arrebentei, agora todo mundo quer que eu ensine as estratégias (risos). E no videogame sou o melhor mesmo”, disse Valdívia em tom de brincadeira ao site da ESPN Brasil.

Em um futebol que os jogadores cada vez mais estão robotizados e com menos capacidade de improviso, raciocínio rápido e principalmente técnica, emprestar Valdívia para um outro clube, mesmo que a intenção da diretoria seja valorizá-lo para uma possível venda com destino ao exterior no futuro, seria um erro se desfazer de um ídolo tão querido pelos torcedores colorados e ainda mais no ano mais difícil da rica história do clube.

Caso saia, a nossa direção tem que exigir, sim, jogadores de bom nível em uma possível troca por empréstimos, já que, como foi descrito acima, dentro do nosso futebol brasileiro tem pouquíssimos atletas com as características de Valdívia.