Para quem pensa que o Inter multicampeão de 2006 começou em janeiro, ou em 2005, comete um equívoco grave de avaliação. Existe um conhecimento popular que diz que construir leva tempo, é trabalhoso e demorado, mas destruir, isso é rápido e fácil, que se mostra verdadeiro em quase todos os níveis em que observamos, incluso o futebol.

O trabalho que culminou em 11 anos atrás iniciou-se por 2000, 2002, numa sequência linear de aprendizado e erro, de evolução quase que de tijolo em tijolo, em tempos de dificuldades financeiras, falta de títulos, estrutura precária e rival em boa fase.

Nesse contexto, em 22 de dezembro de 2004 o Internacional anunciava o zagueiro Índio, vindo de um time periférico (Juventude) e então com 29 anos, com uma carreira futebolística por se dizer medíocre e recheada de passagens em times sem expressão. Seguramente para a maioria era uma contratação fadada ao fracasso por si só.

O time vice-campeão nacional em 2005 tinha sua base formada com jogadores como Élder Granja, Edinho, Ediglê; Gavilán, Perdigão, Wellington, Vinícius, Ricardinho, Gustavo Papa, Ceará, e com pouquíssimas peças de maior qualidade (Fernandão, Iarley, Clemer, Tinga, Jorge Wagner, Bolívar – ainda meio lateral e meio zagueiro, Sóbis – ainda um garoto – e Renteria, então reserva) que chegava como completo azarão na briga pelo título, recolocando o Inter na Libertadores do ano seguinte após mais de década e perdendo o tetra apenas nos tribunais. Sem eles jamais estaríamos em Tóquio no ano seguinte.

Como explicar que esse elenco de certa forma pobre, sem estrelas nem nomes milionários, alcançou o sucesso?

O trabalho coletivo (coeso, com um grupo de jogadores medianos mas focado, comprometido), o clube organizado se reestruturava (pagando pouco mas em dia, sem loucuras) e uma torcida presente com uma enorme gana por conquistas foram apenas alguns dos fatores que recolocaram o gigante vermelho nos trilhos.

Essas recordações demonstram que o ano de 2018 não será inédito para ninguém.

Precisamos entender o momento e diluir essa realidade em possibilidades possíveis, ou seja, você torcedor colorado já pensou em como ajudar o clube nesse momento?

Exigir contratações caras é carta fora do baralho, se a realidade te permite financiar um Golzinho 1.0, não deseje uma Ferrari, planeje como terá recursos para comprar uma no futuro, mas não seja um sonhador reclamão. Precisamos ter isso em mente para sermos pro ativos com os problemas reais em vez de reclamarmos porque as coisas não estão melhores. É isso ou eleger o próximo fanfarrão que irá prometer novos Gamarras e Forlans....

O momento do clube é crítico, teremos um 2018 complicadíssimo em que a meta principal é seguir na Série A, pagar as contas de uma série de má gestões e tentar como em 2003, 2004, dar um pequeno passo adiante. O Internacional precisa mudar agora e quanto mais cedo entendermos isso mais fácil será para todos, além de mais construtivos no presente.

Não confundam isso com omissão ou se tornar “chapa branca” por qualquer decisão dos atuais dirigentes, mas como um pedido de compreensão e perspectiva de ambição ao atual momento alvirrubro.

Como podemos ajudar de fato o clube nesse momento? Minha sugestão, assim como de muitos, resumidamente, é incitar a presença massiva no estádio – independente dos resultados – até alcançarmos os 45 pontos e uma participação nas ações da gestão, além de apoio econômico (ser sócio agora é uma prova de fidelidade inequívoca), algo simples e sem inventar a roda. Já fizemos isso...

Poderemos sair disso mas o sucesso de 2020 passa pelas escolhas em 2018. Construir leva tempo, então, mãos à obra.

Deixem suas sugestões!

Saudações a todos e um Feliz Natal.

Por https://twitter.com/Celta_Bardo