O Portal Zero Hora (Leonardo Oliveira e Rafael Diverio) publica nesta segunda-feira, que pela primeira vez, a construtora Andrade Gutierrez admite a possibilidade de abrir mão da administração de sua parte no Beira-Rio. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o CEO da empresa, Ricardo Sena, afirmou que pretendem investir fora do Brasil e que colocaria à venda suas participações em parcerias público-privadas. Como é a administração do estádio colorado, em que a AG é a maior acionista da Brio, holding criada para gerir algumas áreas por 20 anos desde a conclusão da obra, em 2014. O outro acionista é o BTG Pactual. 

Assumindo a gestão dos espaços hoje com a Brio, o Inter poderia gerir conforme sua vontade e necessidade. Para a Andrade Gutierrez, o negócio seria vantajoso por não precisar mais injetar dinheiro para sanar o déficit da holding. A Brio hoje consegue lucro operacional, ou seja, arrecada mais do que gasta em suas áreas no estádio. O problema é que o dinheiro não alcança o suficiente para pagar o empréstimo feito ao BNDES, os R$ 350 milhões que bancaram a reforma entre 2012 e 2014. No plano do Inter, está fora de cogitação participar do pagamento desse débito. A ideia é simples: troca de área por divisão de lucros.

O contrato firmado com o Inter para a reforma do estádio obriga a Brio consultar o clube em caso de venda da gestão dos espaços. Qualquer oferta recebida deve, necessariamente, ser apresentada antes ao parceiro, que decide sobre cobri-la ou não.

A ideia do Inter é oferecer à Brio a administração das áreas e, em troca, partilhe o lucro. A estratégia é usar a força de sua marca e o apelo com a torcida para vender espaços como camarotes, skyboxes e cadeiras VIPs, entre outros, atualmente com enorme ociosidade operacional.