Após o sofrível empate em 0 a 0 pela 8° rodada contra o Santa Cruz, quero deixar meus parabéns a você, guerreiro e lutador colorado, que assistiu a essa PELADA das brabas até o final. Não basta uma má atuação, ou algumas más atuações, o Inter vem se caracterizando por SEMPRE jogar pouco e ser um time completamente inconsistênte durante todo o jogo. Com pouco culpa no cartório até agora, o novo técnico Guto Ferreira começa a tomar decisões que o colocam em posições contrárias ao que seria lógico e razoável.

Ao sentarmos para assistir uma partida do Inter temos sempre algumas certezas: jogaremos pouco, começaremos provavelmente bem e se marcarmos um gol, vamos parar de jogar. Veremos um time que não consegue trocar 10 passes em praticamente NENHUM momento do jogo, triangulações e movimentação? Nem sonhando. Na defesa além de marcar bisonhamente, não possui consistência/aproximação entre as linhas e não consegue ser efetivo em quase nenhuma bola parada. Pouca coisa? Não, os problemas se somam ainda mais.

Asim, não bastasse os poucos dias de treino, Guto Ferreira parece não enxergar coisas óbvias que poderiam ajudá-lo nesse momento:

→ Não temos meio de campo (que tenha capacidade de segurar a bola, girar o jogo, inverter, se movimentar e aparecer para o passe).

→ Três atacantes, dois alas e um centralizado que não recebem UMA bola de infiltração, de criatividade ou armada durante os 90 min, justamente porque esse meio de campo (um setor-chave do time) não tem capacidade nem peças de qualidade para de maneira ordenada, agregar soluções ao time.

→ Dois alas-atacantes (por vezes é Carlos, outra Cirino ou Roberson mais antigamente) que somam quase NADA ao time como um todo, seja ofensiva ou defensivamente. Tanto é que a única forma de adicionar qualidade a esses jogadores nota 5 foi tirar Pottker da área, ai aliviou um pouco, mas muito pouco, porque seguimos sem meio de campo e com qualidade baixa dessas opções a nível coletivo e individual. O Inter com 3 atacantes diante do Santa Cruz não conseguiu finalizar UM CHUTE no gol adversário. Empilhar atacantes não é sinônimo de ofensividade ou efetividade.

Olha, poderia seguir com uma lista enorme de problemas visíveis a “olho nu”, mas deixo aqui apenas os mais óbvios e latentes, os que talvez sejam o mais simples de serem resolvidos a curto prazo.

Dando sequência a Série Filme de Terror, vocês se lembram quando foi a última invertida de bola do meio de campo alvi-rubro? Quando o meio de campo, através de suas peças na função, de maneira ordenada viram um companheiro encurralado e rapidamente inverteram a bola? Somos uma equipe de jogadores estáticos, que sem aproximação e em setores distantes, tentam jogar a bola ao outro, na expectativa de que por um milagre, algo aconteça.

Devido a pouco qualidade dos nossos adversários na Série B o Inter tem conseguido até sair na frente durantes os jogos, costumeiramente fazemos o 1 a 0 porque possuímos um time mais forte tecnicamente que no ímpeto inicial quase que naturalmente cria as chances e abre o marcador. Mas passado os 25 minutos iniciais, o jogo precisa e deve ser jogado de maneira coletiva e estratégica, deve-se por exemplo, ter a bola, dispor de contra ataque e quando necessário, defender-se. Três exemplos que não possuímos.

Neste momento conturbado com uma equipe sem NENHUMA cara ou estilo de jogo, Guto erra redondamente ao propor um time sem meia cancha. Veja bem, prefiro um 4-5-1, que tenha chegada dos homens de trás do que 3 atacantes completamente isolados e de clara deficiência técnica, como Carlos e Cirino. Além disso, dispor de três alas que não recebem a ajuda se quer de NENHUM lateral, chega a ser de uma afronta quase que a inteligência. Se temos 2 peças (ala ofensivo na esquerda e direita) que pouco agregam ao time como um todo, porque diabos Guto insiste nessa formação?

Juan claramente pede passagem pois tem agregado qualidade individual, de movimentação e de passe, características que nossa equipe desesperadamente implora a cada má atuação. Veja bem que não estou dizendo que o meia da base será o salvador da pátria, mas que nesse turbilhão de nada, ele pode ajudar a amenizar esse caos e dar consistência ao time. Pensando nessas opções, deixo aqui algumas para vocês conferirem e debaterem:

 (Coloquei posições genéricas, lados podem ser invertidos em algumas, é apenas um exemplo de conceitos)

4-5-1 (ou 4-1-4-1))

4-4-2 (ou 4-2-2-2)

Nessas bases, seriam esquemas tradicionais, que dariam teoricamente maior presença e aproximação no meio de campo. A ideia seria possuir mais opções de passe na meia cancha, aproximando-os, dando consistência e maior liberdade de movimentação e infiltração desses homens em direção ao ataque. Pior do que está, me parece impossível.

Vejam bem que não tenho a pretensão de ser o dono da verdade ou dar alguma fórmula mágica, muito pelo contrário, mas enfatizar que nossa "squadra" urge por mudanças que tentem oferecer NOVAS soluções e não velhos problemas. Observando as resoluções propostas pelo atual e antigo treinador eles parecem insistir em peças que não podem oferecer mais e uma formatação completamente despreparada para sustentar um futebol minimamente sólido para nos levar de volta à Série A. 

Por Alan Rother - Contato: https://twitter.com/Celta_Bardo