Após quase três meses proibida de adentrar nos estádios, Inter e Brasil de Pelotas presenciaram não apenas a vitória “raçuda” de Guto e seus comandados, mas um Beira-Rio empolgante, com a cara do Inter vencedor de outrora, que para o orgulho de Vicente Rao, ressoou com seus instrumentos e cores, pulsando um Gigante ferido.

Se disputar a Série B para um clube do tamanho do Inter é sempre uma vergonha, emergiu no fundo do poço um sentimento maior do que qualquer glória desportiva. O amor incondicional demonstrado por cada torcedor(a) alvirrubro Rio Grande afora exemplifica o ressurgimento do que é ser colorado.
Passamos por diversos momentos tumultuados em nossa centenária história, mas foram graças a essas dificuldades que surgiram os personagens e os momentos cruciais para reescrever nossa trajetória.

Dentre os diversos fatores que ergueram o atual time em 2017, nenhum alcança a fundamental importância de Leandro Damião. Poderíamos até, de maneira bastante audaciosa, dimensionar que existe o Inter pré e pós-Damião. Veja bem, não estou me referindo a uma dicotomia onde tudo se resume a Damião, ou não, mas que sua atitude parece ter mudado o espírito de todo uma nação.

Damigol não se resume apenas aos – importantes - 6 gols marcados, mas essencialmente a uma dedicação que salta aos olhos. Seu espírito de determinação, de nunca desistir e humildade frente a clubes imensamente menores marcaram a nova atmosfera de time, torcida e dirigentes frente aos desafios da segundona.

Se em seu desembarque se discutia “Nico ou Damião” no ataque, hoje é praticamente unanimidade o custo-benefício de tê-lo no time em detrimento da qualidade técnica – mas quase frívola – postura do uruguaio.

Torcida e time se reconstroem à medida que um se identifica com o outro, como um casamento. Um amor sem dedicação, sem altruísmo, tem grandes chances de dar em nada. Damião é como aquele torcedor da Popular, que canta, pula, e mesmo não se aguentando de dor no braço, na perna, na garganta, empurra até o fim. É o algo a mais.

Passados turbulentos 10 meses, hoje acredito que podemos afirmar que passamos na prova da determinação. A entrega de toda a equipe na vitória sobre o Brasil de Pelotas foi tocante e seus reflexos, como bem dito por Guto, pode agrupar ainda mais o clube como um todo. Mal comparando, pode ter sido nosso “Inter 3x2 Pumas”, na Libertadores de 2006, quando após uma série de traumas vimos aquela virada como um sinal de que algo estava por vir.

Ainda teremos muito o que provar, com outros problemas e novas realidades, mas o pontapé inicial está dado: dedicação, seriedade, altruísmo, é a base para o Inter replanejar 2018.

Por https://twitter.com/Celta_Bardo