Em seu progama nesta segunda-feira, Galvão Bueno mostrou, em primeira mão, um trecho de "Pergunte quem era Falcão", filme produzido na Itália que será apresentado este ano no Cinefoot, festival brasileiro de cinema sobre futebol. A idolatria pelo elegante e clássico meio-campo que fascinou o mundo na Copa de 1982, na Seleção de Telê Santana, permanece até hoje.

Paulo Roberto Falcão marcou história na Roma ao conquistar o scudetto de 1982-83, título que o clube não levantava desde 1942, além de duas Copas da Itália (1980-81 e 1983-84). Antes, amado também no Inter, foi tricampeão brasileiro pelo em 1975, 1977 e 1979, além de cinco vezes campeão estadual. Mas não conseguiu no Colorado o mesmo sucesso como treinador, por onde passou pela última vez em julho de 2016, ficando menos de um mês no cargo. Perguntado sobre onde se sentia mais "acariciado", o ex-jogador e comentarista, atualmente técnico, sem clube, enalteceu o que levou de melhor dos dois clubes em que mais teve conquistas.

"Eu, treinador da seleção brasileira em 91, eu ia para Cortina d'Ampezzo, que é um lugar de montanhas, onde estava o presidente Viola, para conversar e fazer um contrato de dois anos para treinar a Roma. Naquela semana, ele teve um problema sério e morreu. Os dirigentes da Roma me respeitam muito mais, sem nenhuma dúvida. Isso é absurdamente verdadeiro. A torcida do Inter, mesmo depois dessa... eu tenho vontade de falar uma palavra mas não vou falar... canalhice..., enfim, nesses 25 dias que eu fiquei, senti muito esse conforto do torcedor do Internacional e também do Grêmio, que dizia assim: "Pô, a gente trata melhor os ídolos." (...) Mas a torcida do Inter fez manifestações, no último jogo que eu dirigi, ela fez... Na chegada do hotel até o Beira-Rio, um negócio inacreditável o que eles fizeram - disse nesta segunda-feira, em que foi um dos convidados do programa "Bem, Amigos!".

Falcão encerrou sua carreira de jogador em 1986, no São Paulo, onde foi campeão paulista no mesmo ano, e quatro anos depois era convidado para ser o técnico da Seleção, após a Copa de 1990. Ficou menos de um ano. Depois, treinou América do México, dirigiu pela primeira vez o Internacional e a seleção do Japão, até, em 1996, receber o convite para ser comentarista da TV Globo, por onde ficou por 15 anos, até se tornar mais forte o desejo de voltar a treinar uma equipe.

Perguntado pelo comentarista Arnaldo Cezar Coelho se havia se arrependido de trocar o microfone pelo banco de reservas, lembrou que Galvão Bueno acompanhou bem de perto essa decisão, porque os dois falavam seguidamente sobre o assunto, e o narrador foi um dos responsáveis pela sua volta ao cargo de técnico. Galvão falou sobre o assunto.

"O que eu dizia para ele era o seguinte: Paulo, você foi totalmente realizado como jogador, um dos maiores jogadores do mundo e da história do futebol, sem dúvida. Ninguém discorda disso, da capacidade dele como jogador de futebol. E como comentarista, foram 15 anos aqui na Globo, espetacular, com uma receptividade no país inteiro, sem nenhuma rejeição. Eu senti que faltava a ele uma realização como treinador. Ele começou técnico da Seleção, do Inter, do América do México, da seleção do Japão, aí veio trabalhar com a gente. Aí foram 15 anos e agora, nesse retorno dele, foi para o Bahia, foi campeão com o Bahia, que estava 11 anos sem ser campeão. Foi para o Inter, foi campeão gaúcho, foi para o Sport. Voltou para o Inter numa situação meio tampão (...)

Falcão deixou claro que pretende insistir na carreira de treinador. Campeão gaúcho em 2011 pelo Inter, na sua segunda passagem pelo Beira-Rio, e baiano pelo Bahia, em 2012, enfatizou a necessidade de ter mais tempo para se firmar no futebol brasileiro, para ele com um sério problema de gestão em cima de resultados imediatos.

"Nas entrevistas que eu dou, eu pego uma declaração do Muricy e dou o crédito. O Muricy disse uma vez o seguinte: "O grande problema no Brasil é a gestão." E eu disse: "Concordo com o Muricy." Isso é um problema muito sério, a gestão. Na Europa o presidente é dono das ações, e arde no bolso dele ficar trocando, embora lá hoje também estejam trocando, mas muito diferente daqui. Você não consegue ter um tempo para fazer. No América do México, a gente foi à final da Concacaf. Não fiz a final porque saí, a gente ganhou de 1 a 0, estaria no Mundial da época do Japão. Eu fiz todos os jogos, menos a final. Então, tem história. Se você pegar um treinador que tem 25 anos, evidente que ele pode ter mais alguns títulos, o Telê Santana ganhou o Campeonato Brasileiro no Atlético-MG em 1971 e foi ganhar depois no São Paulo mais de 20 anos depois. Eu preciso de tempo, precisava de cinco, seis anos tocando. E não consigo ter, porque a gestão aqui é uma coisa de resultado. E eu digo sempre o seguinte: futebol você tem que jogar bem. Eu busco que o time jogue bem, se você jogar bem você vai atrás da vitória. Ganhar só por ganhar, você tropeça ali na frente, não dá sequência."

Fonte: SporTV