Uma pilha de nervos. Ansiedade à flor da pele. Era assim que me encontrava dias, horas e minutos antes da estreia do Inter em uma realidade completamente nova e desconhecida como a segunda divisão nacional. Qualquer que fosse o resultado não seria decisivo ou garantiria nada lá na frente, mas em respeito a projeção e estado de espírito dos colorados um revés ou um mal começo poderia se traduzir em uma enorme desconfiança, gerando uma bola de neve perigosa com vislumbres dos tristes momentos de 2016. Nada é ruim que não possa ficar pior, dizia aquela voz na minha mente.

Por mais que se diga que teoricamente temos o melhor time da Série B o futebol nem sempre caminha em linha reta, no fundo é o melhor trabalho coletivo aliado à técnica que costuma fazer a diferença. E era justamente neste ponto o meu receio. 

Enfrentamos equipes abaixo do segundo escalação nacional no campeonato gaúcho e passamos um enorme sufoco mesmo na primeira fase. O Inter era e continua sendo ainda uma grande incógnita em construção. Mas mesmo com dificuldades e deficiências o técnico Antônio Carlos Zago tem ao seu lado dois fatores preponderantes em relação a temporada passada: melhor elenco e uma direção que mesmo com defeitos, tem agido com responsabilidade e sobriedade. Adeus fanfarronice. 

Vagarosamente as peças do time rebaixado de 2016 foram saindo, sumindo do mapa, e mesmo com alguns ainda por sair o fato é que a direção trata a questão com enorme respeito ao ser humano por trás do jogador e valoriza sua "propriedade", e não estão certos? 

Hoje temos um elenco novo, um novo Inter sendo formado com caras renovadas. Gutierrez, Cirino, Pottker, Edenílson, Cuesta, Uendel, Klaus, Carlinhos, Roberson e muito provavelmente chegarão mais após as saída de Seijas e Andrigo. Não é fácil começar um projeto do zero e ainda mais na segunda divisão, mas o Inter começou por obrigação e agora estamos com a faca entre os dentes.

Restam ainda 37 finais, precisamos de 66 pontos para matematicamente alcançarmos o acesso, ou seja, faltam mais 21 vitórias, mas temos que ir além. Conversando com meu irmão colorado ele disse "agora que caímos quero que, pelo menos, façamos a melhor campanha da história da Série B". Se cair é uma vergonha para a história voltar de maneira grandiosa seria o resgate do próprio clube que foi humilhado por uma direção de patetas e uma imprensa oportunista, para jogar na cara daqueles que subiram em 9° demonstrando: viu, é assim que se faz?

Mas para chegar lá precisamos ir jogo a jogo, como uma Libertadores onde o mata-mata no Beira-Rio tem que ser fundamental. Neste domingo os gremistas colocaram míseros 18 mil torcedores contra o Botafogo, e pensando sobre o tema me ocorreu o seguinte desafio: sobrepor os azuis (e sei que o faremos porque assim tem sido em relação a média nos estádios) com um público no mínimo duas vezes maior?

Porque o refrão mais chavão às vezes é o mais verdadeiro, "Porque é nas Más que eu demonstro que Te Amo Igual".

Uma, duas ou três vitória não podem nos enganar e subir a cabeça, o Vasco foi o melhor exemplo no ano passado. Se a direção, seguida pelos jogadores e torcida começarem a pensar que será "fácil", ai sim tudo pode começar a se tornar mais difícil. Como disse o presidente Marcelo Medeiros a volta a Série A é a prioridade 1,2, e 3 do Sport Club Internacional, e apoiar nosso clube dentro e fora do campo deve ser nossa obsessão

Por Alan Rother - Contato: https://twitter.com/Celta_Bardo