O Inter saiu em desvantagem no primeiro confronto diante do Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2017. Após uma boa primeira etapa acabamos sendo totalmente dominados pelo atual campeão brasileiro. O 1 a 0 foi justo e nos manteve vivos para o confronto decisivo, dia 31 em Porto Alegre.

Tentarei deixar aqui um novo formato de opinião pós-jogos, algo mais sucinto e objetivo visando basicamente debater a atuação vermelha.

Após um início tímido e nervoso o time de Zago foi se soltando e encontrando os espaços deixados pelo time de Cuca. Era um jogo aberto.

Surpreendentemente o Inter foi melhor (até sofrer o gol) demonstrando boa saída de bola defensiva, sem utilizar-se da ligação direta, conseguiu encontrar aluns bons momentos mas que se resumiram a isso por algumas questões problemáticas: laterais em péssima noite, D'alessandro isolado e Cirino sem poder de conclusão.

William e Uendel mais uma vez deixaram a desejar. Com pouca aproximação, ambos somaram quase nada ao time, a escalação de Fabinho no tripé forma um meio campo defensivo muito povoado mas com claras dificuldades de chegada ao ataque e apoio aos alas.

Assim, fomos um time que toca bem a bola mas que na última quadra do campo, só consegue criar lances de ataque pela criatividade e técnica individual, sem jogadas trabalhadas de infiltração ou armadas pelo meio ofensivo. D'alessandro, nesse contexto, sofre sem companheirismo e é obrigado a recuar para tentar armar a meia cancha. 

De positivo Daniel, que muito nos preocupou, fez uma excelente partida e salvou em dois lances. Felizmente acredito que não teremos problemas até a volta de Danilo ou Lomba. Cuesta, Dourado, Gutierrez novamente se destacaram individualmente mas foram reflexos do Inter coletivo: fomos coletivamente mais sólidos atrás do que na frente, mesmo exposto ao poderoso contra-ataque alvi-verde.

Fora isso achei o anímico das duas equipes em “sangue doce”, como se a Copa do Brasil não importasse muito, principalmente em relação ao Inter. Um D'alessandro apático, quase não reclamou na partida (e mostrou-se apaixonado por Felipe Melo), tive a nítida impressão que o Colorado foi ao Allianz Parque para jogar pela dignidade e fazer uma apresentação aceitável, não buscando propriamente dito a vaga a próxima fase como uma obsessão.

Isso reflete no meu ver o estado psicológico do SCI na atualidade. Todas as forças devem estar no acesso à Série A e após a luta pela “honra” na batalha contra o Corinthians, direção e jogadores não pretendem perder peças e se desgastar em detrimento de uma competição nacional que hoje, mostra-se dispensável.

Embora não discorde totalmente dessa atitude e tenha visto uma equipe digna em São Paulo, o início do jogo deixou um gostinho de que “talvez fosse possível beliscar algo a mais”, mas mesmo assim chegamos com chances para o confronto de volta, 1 a 0, mesmo que difícil, nos levaria aos pênaltis.

Entretanto, crucial para a vida do SCI inegavelmente é sábado, contra o ABC, pela volta a dura realidade colocada a nossa frente. Precisamos dos três pontos e do melhor começo possível na competição para depois, montarmos uma base e vermos como voltaremos a disputar os principais títulos nacionais e continentais.

Nesse contexto Gutierrez começa a equilibrar o meio de campo e com a volta de Edenílson (saída de Fabinho) e entradas de Pottker no lugar de Cirino, Antonio Carlos Zago terá uma base formada e um time promissor para subirmos com louvor.

Por Alan Rother - Contato: https://twitter.com/Celta_Bardo