O amor ao Inter chegou em Minas Gerais: confira a entrevista com Jéssica Aguilar Loures, estudante de jornalismo e grande colorada na terra do pão de queijo.

Nome: Jéssica Aguilar Loures
Cidade que nasceu: Barbacena, Minas Gerais
Idade: 20 anos
Hobbies: Escrever crônicas esportivas, assistir jogo de futebol e ser jornalista.
Músicas que gosta: Estilo indie, rock e rap.
Profissão: Estagiária da TV Campos de Minas, cronista esportiva e estudante de jornalismo.

Por qual motivo se tornou colorada?
Costumo dizer que não fui eu quem procurou o Inter, mas sim que o Inter me escolheu para fazer parte de sua nação. Meu irmão é torcedor colorado desde pequeno, nunca quis torcer para os times mineiros e nem por outros, nunca sentiu paixão. Foi na camisa do Inter que ele encontrou o amor por um clube de futebol e no dia 20 de maio de 2009, ele me chamou para assistir aos 15 minutos finais do jogo entre Inter e Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil. Sentei ao lado dele e comecei a assistir à aquela magia chamada futebol, que só o Inter pode proporcionar. Nasceu então, a minha paixão pelo futebol e pelo colorado. A torcida colorada é diferente, o clube é diferente, são forças e sentimentos de outro mundo. Por nunca ter gostado de futebol antes desse episódio, posso dizer que o que o Sport Club Internacional é, nenhum outro clube é. Somos únicos, nunca nada tinha me despertado tamanha emoção e sentimento.

E a família como viu sua ligação com o Inter?
No início foi estranho para eles, inclusive meu pai teve algumas dificuldades em aceitar que sua filha gostasse de futebol. Mas com o passar do tempo eles foram observando que a paixão não seria passageira e estaria ligada diretamente ao que eu queria para a minha vida. Hoje, eu e meu pai conversamos de futebol, assistimos jogos juntos e minha família está sempre do meu lado.

Lembra do primeiro jogo que assistiu do Inter?
Inter e Flamengo, quartas de final, Copa do Brasil 2009. Assisti aos 15 minutos finais, com a classificação suada do Inter com o gol de falta de Andrezinho. Aquilo tudo mudou a minha vida.

Como é torcer pelo Colorado em outro estado?
Não posso negar que a dificuldade é grande. Não encontro muitos colorados para dividir a paixão, sempre estou eu, meu irmão e alguns outros. A distância atrapalha bastante, queria poder morar mais perto e acompanhar o Inter de forma mais presencial, mas é complicado. Por outro lado é ótimo, pois sempre sou alvo de perguntas de muitas pessoas e tenho muitas oportunidades de compartilhar a minha história, tão diferente, com o pessoal que torce para outros times.

Qual imagem o Inter transmite em MG? Os outros torcedores comentam algo a respeito?
Primeiramente, de respeito. Aqui, os torcedores mineiros respeitam o Inter e sabem muito bem da grandeza do colorado. Sempre que chego a conversar com outros torcedores eles demonstram simpatia pelo Inter e principalmente pela torcida colorada, que é muito admirada por aqui.

Já foi ver algum jogo do Inter no Beira-Rio? (Se não, fora de casa)?
Nunca fui a Porto Alegre e nunca tive a oportunidade de assistir a um jogo de futebol em um estádio. Existem muitos motivos que permeiam a dificuldade, mas nunca foi algo que atrapalhou meu sentimento pelo Inter, afinal, sempre acredito que o importante é nunca deixar de acompanhar.

Como faz para acompanhar o inter de longe?
Assisto a todos os jogos pela televisão e ouço muito as rádios do Rio Grande do Sul. Além disso, utilizo muito a internet para saber de tudo que acontece no Beira-Rio e no Rio Grande, assim posso realizar meu trabalho de cronista esportiva com os mínimos detalhes.

Qual seu jogo(s) inesquecível?
São muitos, mas posso citar um. A final da Libertadores de 2010. Foi o primeiro título que ganhei com o Inter e ele é muito especial para mim. Foi muito emocionante e não posso negar que caí em lágrimas de alegria quando aquele jogo terminou.

Pior jogo do inter para tí?
Sem dúvida alguma, Inter x Mazembe, no mundial de 2010. Passei um mês inteiro dentro de casa, chorava dia após dia. O Inter não apresentava reação, cada gol do time adversário me cortou como faca. Foi o pior dia da minha vida e o pior jogo.

Qual seu clássico grenal inesquecível?
Existe um, que fez meu coração pular de alegria e emoção. Final do campeonato gaúcho de 2011. No jogo de ida, o Grêmio venceu o Inter pelo placar de 3x2 no Beira-Rio, e no jogo de volta, devolvemos o placar e ganhamos a taça em pleno Olímpico. Foi o grenal mais emocionante, sem dúvidas. Curioso é que eu tinha feito uma cirurgia no pé no dia anterior e não podia nem mexer, tinha que ficar deitada. Mas, eu pulei muito quando o Zé Roberto bateu o último pênalti e todo mundo saiu comemorando. Meu pé doeu semanas, minha mãe brigou comigo até, mas valeu a pena!

Qual foi a maior loucura que fizeste pelo Inter?
Acho que andar a pé muitos quilômetros debaixo de chuva para assistir a um jogo do Inter. Fiz isso há uns 3 anos, acho. O sinal da TV da minha casa não funcionava e eu sai para ir até o sítio do meu avô, que fica muito, mas muito longe da minha casa, debaixo de chuva. Não tinha ninguém para me levar e eu tive que ir. Não tinha nem guarda-chuva e estava muito frio. O curioso é que o Inter perdeu o jogo, mas eu não me arrependo. Sim, eu peguei resfriado.

Quem são teus ídolos?
Nilmar, foi o primeiro. Peguei um carinho muito grande por ele, desde o início, que até hoje perdura. D’alessandro, sem dúvidas, por ser o camisa 10 da minha geração. Fernandão, por ser o grande capitão da história do Inter e Índio, o cara que defendeu a camisa vermelha com muita raça. Existem outros que admiro também, como Guiñazu e Alex.

Qual título mais marcou você?
Todos marcaram, mas o primeiro que conquistei com o Inter é o mais marcante. Bi-campeonato da Libertadores, em 2010.

Qual canto da torcida mais gosta?
Amo muito “Minha Camisa Vermelha”, mas tenho uma paixão inexplicável por “Não me arrependo desse amor”.

Para você, ser colorada é:
É manter uma fé que não se compreende. A fé não nasce na casa da certeza e tudo que vivi com o Inter até então me mostra que tudo que se vence de forma surpreendente é melhor. Ser colorado é viver uma paixão que não cessa, é defender um escudo de tudo e de todos, é ser fanático e ser presente como torcedor (de corpo ou de alma).

Você já chorou pelo inter? Se sim, em que ocasião?
Muitas e muitas vezes. De emoção, como na conquista da LA2010 e de tristeza, como no Mundial do mesmo ano. Quando o Inter perde de forma vergonhosa choro também e confesso que toda vez que D’alessandro beija o escudo do Inter, eu choro de emoção.

Se não fosse colorado, você seria:
Não seria torcedora de nenhum time, pois como disse acima, o Inter foi o único que conseguiu despertar em mim a paixão improvável pelo futebol.

O grêmio é:
É nosso verdadeiro adversário no país! Vivendo aqui em Minas, onde presencio a rivalidade de Atlético-MG e Cruzeiro, percebo que a nossa rivalidade Grenal é muito mais forte. Não tem nada melhor no mundo do que vencer grenal.

Clube que não seja o Inter que mais respeita?
Meu pai é Botafoguense e Cruzeirense, e tenho uma simpatia pelo Botafogo por causa dele. É uma torcida bem fiel, que sofre bastante, mas não deixa a estrela solitária de lado. É digno de admiração.

Teu maior sonho como colorada é:
Desde que o Inter entrou em minha vida, eu queria ser jogadora de futebol. Descobri que tinha talento e pude jogar. Um problema no joelho me afastou dos gramados, mas segui – como não podia mais jogar, passei a escrever sobre futebol e em 2010 criei o blog “Inter & Nilmar – 2 Paixões”, fazia pós jogos das partidas do Inter e das partidas do Nilmar pela europa a fora. Este ano mudei o nome do blog, em uma fase de amadurecimento profissional, para “Guria das Gerais” e recebi muito apoio. Sempre quis ser reconhecida pelo trabalho que faço pelo Inter e já recebo muito reconhecimento dos torcedores. Para mim, isso basta. Mas quero trabalhar como jornalista esportiva em Porto Alegre e poder acompanhar o dia a dia do Inter mais de perto. Mas, conhecer o Beira-Rio, esse é o meu maior sonho.

Com os novos contratos de televisão, clubes como o Inter, Cruzeiro e Atlético-MG irão receber bem menos dinheiro que os clubes paulistas e o Flamengo, tu vê com alguma preocupação essa situação? Os mineiros de forma geral comentam sobre isso?
Eu converso mais com torcedores do Inter do que com torcedores de outros clubes e o que eu vejo preocupa, e não é de hoje. O clubes paulistas e o Flamengo recebem mais por diversos motivos, mas um deles é a questão do tamanho da torcida desses clubes. Porém, esses clubes que estão no topo da lista daqueles que vão receber mais, são os clubes que não conquistam títulos anuais e nem mantêm uma atuação uniforme nas partidas e campeonatos. O futebol, fora de campo, se tratando de CBF e clubes paulistas têm uma tendência a ser ostil com os verdadeiros clubes vitoriosos. Peguemos o Cruzeiro como claro exemplo, se tornou bicampeão brasileiro e vai receber menos que o Palmeiras? Quais são os critérios levados em conta para essa absurda decisão? Não faz sentido. Os clubes precisam se unir contra essa forma de se fazer futebol no Brasil.

Os números não mentem: Cruzeiro, receberá, todo ano, R$ 40 milhões de reais a menos que o Palmeiras, que quase foi rebaixado em 2014, e pouco mais de um terço do Flamengo, décimo colocado em 2014 e 16º em 2013. O Santos, 17º colocado em média de público em 2014, receberá 33% a mais que o Internacional, quinto colocado em público.

E questão de audiência também conta, e muito. Jogos dos times paulistas não andam dando audiência para as cabeças de chave que transmitem os jogos.

Gostaria de deixar algum recado para os colorados Brasil afora?
Gostaria de agradecer a todos que acompanham meu trabalho no blog Guria das Gerais e também no Blog Arquibancada Colorada. Fiquei muito contente com os colorados que me ouviram na Rádio Gaúcha, quando dei uma entrevista no programa Esporte e Cia, em que pude falar da minha história e do meu trabalho. Queria dizer que não importa a distância que estejamos do Inter, o amor, a devoção e o fanatismo são os mesmos, são fortes e eternos. Me sinto honrada em participar do dia a dia do clube, em fazer parte da torcida mais bela do Brasil e do mundo. Quero dizer que minha vida tem a cor vermelha e cada dia mais se sinto abençoada por poder vestir essa camisa.