É inevitável que após esta quarta-feira se comente o 3° título de Libertadores do Grêmio, que para meu espanto, teve enormes provocações por parte dos azuis ao rival dos Pampas. Faz parte do jogo, quem está por cima tem esse direito, mas vamos analisar o assunto com toda a calma possível.

Em 1940, época em que o futebol passava do amadorismo ao profissionalismo, o mundo futebolístico do Rio Grande do Sul girava ao redor de uma única conquista (estadual), o Inter terminava em 1949 com  10 títulos estaduais contra 7 do seu maior rival. De 1956 a 1959, novamente o Inter ficava a cima do Grêmio, 11×15 Internacional.

Com a construção do Beira-Rio e sem recursos, após duas décadas de hegeomonia, o Inter era ultrapassado pelo rival em número de conquistas:  1969 – Grêmio 19×17 Internacional. O que ocorrera a partir dali?

Nova reviravolta. Com o Gigante novinho em folha, o Inter massacra o rival com 3 títulos nacionais e quatro estaduais a mais: 25 x 21. Com certeza, para o colorado da década de 80, a impressão que se tinha era de que o Grêmio levaria 15 anos para conseguir alcançar o Inter. 

Mas a década de 80 se mostrou complicada, mesmo tendo estaduais e brasileiros a menos que o Inter, o rival diminuíra a vantagam para 2 gaúchões (Grêmio 27×29 Internacional), 2 Brasileiros a menos mas com 1 Mundial, 1 Libertadores e 1 Copa do Brasil. Sem dúvida a rivalidade alcançara nesta época seu auge e era difícil evidenciar uma predeminância clara de cada um dos lados.

Todavia, a década de 90 mostrou-se ainda mais dura aos colorados, e nesse momento o Grêmio, passada a década de total predominância vermelha em 70, consegue alcançar uma distância do Inter em títulos, com 2 Libertadores, 1 Recopa, 2 Copa do Brasil, mas ainda tendo 1 Brasileiro e estaduais a menos que o Inter.

A resposta dos Colorados na década seguinte foi avassaladora: 1 Mundial, 2 Libertadores, 2 Recopas, 1 Sul-Americana, tendo essa hegeomonia quebrada de fato hoje, em 2017, com a conquista da 3° Libertadores. Se o Grêmio agora possui mais Libertadores e Copa do Brasil, o Inter possui mais um Brasileiro, Recopa e Sul-Americana, além do estadual, ou seja, o Mundial de 2017 e o ano de 2018 poderá ser um xeque mate no domínio alternado entre os clubes. Ou o Inter vence a Copa do Brasil ou o Brasileiro, ou seca para o rival perder a Recopa, o Mundial e ficar por isso mesmo, o que mantém a disputa acirradíssima. 

O que gostaria de deixar claro nesta linha de tempo de conquistas? Que o futebol é momento. Quando vi o Inter levantar 2 Libertadores, Mundial, 2 Recopas e Sul-Americana em um intervalo de 4 anos, parecia que nada mais seguraria este clube. Sinceramente, imaginei o Inter vencendo a 3° Libertadores ou outro grande título logo ali. Mas a realidade mostrou-se muito diferente. Más gestões, soberba, falta de planejamento e zelo nas contratações colocaram o Inter em seu pior momento, e não há como não perceber a total coincidência com a reconstrução do lado azul nesse período.

15 anos de garganta presa frente as provocações do rival saíram hoje, com jogadores e técnico provocando os colorados, tal qual tantas vezes também já fizemos. Da parte vermelha, cabe comermos o pão que o diabo amassou, mas sem baixar a cabeça. Eles são tri da América? Somos Tri Brasileiro, Bi da Recopa, Campeão da Sul-Americana, o maior vencedor de GreNais, enfim, existem grandezas que se medem por tangentes que podem ser dimensionadas - como títulos e conquistas - e outras não, como a história do Clube do Povo, contra o Racismo e o clube de todos que tanto nos orgulhamos, mas que torna-se cada vez mais esquecida diante de um futebol moderno, encaixotado pelo marketing de algumas gerações mais recentes.

O título do rival não é nada novo nem nunca será. Inter e Grêmio seguirão por gerações lutando por uma hegeomonia e quando um acha que está a anos luz de distância, o outro parece renascer. 

Em 2018 o renascimento do Inter passa pela presença dos colorados no Gigante, apoiando mas principalmente cobrando de seus líderes ideias e conceitos novos. O Inter precisa sair desse modelo engessado que o levou a conquistar tudo a 7 anos atrás e "acordar para a vida", o futebol se reiventa a cada instante. 

Precisamos voltar a investir fortemente na base, em profissionais em todas as áreas, sair do amadorismo e da politicagem, são os primeiros passos para uma mudança real. Agora são 3 horas da madrugada enquanto escrevo e devido ao cansaço citei apenas estes exemplos simples, genéricos, e deixo o espaço vocês também colocarem suas sugestão e ideias. O que falta para o Inter se reiventar?

O mundo dá voltas e o Inter precisa acordar para não ficar atrás. Desistir não é uma opção.

Por https://twitter.com/Celta_Bardo