Estou um pouco triste pelo resultado mas não exatamente surpreso, muito pelo contrário. Perder um gauchão para o torcedor colorado pós-década de 90 (falo claro por minhas percepções) não é o pior dos pesadelos. Se comemorei o título de 1997 com uma emoção à flor da pele e assisti o título de 2011 no Olímpico em puro êxtase, faltou a final de 2017 um tempero a mais após a sequência incrível de títulos regionais interista mas principalmente pela situação delicada em que nos encontramos. Basicamente avaliamos o Inter do presente pensando “como será esse time na segunda divisão”, puro terror psicológico.

Os méritos do Noia são quase que irrefutáveis. Depois de 17 anos, um clube do interior gaúcho volta a ser campeão estadual. O último havia sido com o Caxias de Tite em 2000. Apenas um trabalho muito, mas muito acima da média consegue fazer equipes com orçamento e estrutura imensamente inferiores baterem os gigantes da capital.

O clube da região metropolitana teve a melhor campanha, o melhor ataque, a melhor defesa. Não perdeu uma partida para a dupla GreNal. Se Beto Campos voou com seu esquadrão de MiG-29 anilado, Zago, com um F-22 Raptor vermelho e branco mal conseguiu sair dos mil pés.

Após um 1° turno de terror, com enormes chances de ser REBAIXADO no estadual, Zago completou o campeonato com o seguinte apuramento:

17 jogos
6 vitórias
7 empates
4 derrotas
21 gols marcados
18 gols sofridos
49% de aproveitamento

Números sofríveis. Mas nem sempre os números explicam tudo, ainda vale mais a interpretação desses números e é justo nisso que gostaria de refletir com vocês.

Primeiramente a final caiu no colo do Inter. A atuação na semifinal deixava claro o terror que era assistir o time de Zago em campo, mas não me refiro aos resultados e sim de construção coletiva, de estratégia e filosofia de jogo. O placar pode enganar por um tempo mas o desempenho não.

Pergunte a qualquer torcedor que assiste a uma partida do Inter algo básico do tipo: “Como o Inter joga?” Qual o estilo de jogo que Zago propõe ao seu time?”

Impossível responder essa pergunta porque não se vê nada. Desde o primeiro minuto no Beira-Rio foi o time de Beto Campos que deu as cartas, até quando recuavam - pelo fator físico e pela vantagem no placar - ficava evidente que quando o time anilado queria marcação alta, isso se refletia em campo. Sim, o Inter queria impor sua marcação pressão desde o começo do jogo mas não soube e não conseguiu. Sobrou méritos de um lado e faltaram de outro.

Dada a simples comparação do trabalho coletivo de um time como o Novo Hamburgo e do realizado por Antônio Carlos Zago observamos primeiro a precariedade do conjunto alvi-rubro.

Se estadual não é referência para nada é ainda mais preocupante o DESEMPENHO. Eu já demonstrava aos amigos leitores minha preocupação com o trabalho do atual comandante vermelho mas começo a temer ainda mais pelo nosso futuro após os primeiros 4 meses de amostragem.

Zago não é o único responsável, jogadores, diretoria (ao montar um elenco sem meias, função básica e essencial) da mesma forma mas é nesse ponto que gostaria de chegar. Perder o gauchão pode ser o de menos mas repetir esse nível de desempenho a longo prazo poderá ser ainda pior.

Por Alan Rother - Contato: https://twitter.com/Celta_Bardo