Embora a direção muito diga e se mostre publicamente interessada na questão "Setor sem cadeiras" no Beira-Rio, o fato é que na prática poucas atitudes concretas foram tomadas a respeito do assunto. Grande parte dos torcedores que gostavam de torcer de pé, ou cantando e pulando no antigo estádio, hoje se sentem frustrados por presenciarem um lindo e colossal estádio, padrão Copa do Mundo, que parece por vezes um jogo de Premier League. 

Além disso, pouco se divulga que diversas arenas pelo mundo possuem tais espaços - além do Brasil - visto como mais democrático e mantenedor de uma atmosfera "futebolística e não de teatro", como visto principalmente na Inglaterra.

Na Alemanha, por exemplo, diversos estádios possuem tal área, com o estádio do BVB sendo considerado a "meca" do assunto, oferecendo uma área para 25 mil pessoas de pé, e o restante - em um total de 81 mil - sentados. Turistas do mundo inteiro se digladiam para comprar um ingresso e poder presenciar a famosa "Muralha Amarela". Curiosamente, é o próprio Dortmund, dono da maior média de público do planeta, em uma cidade que não tem mais de 600 mil habitantes.

Outros clubes de alto nível também optaram por tal opção, como o poderoso Bayern de Munich, na Allianz Arena, a Veltins-Arena, do Schalke, e o Borussia-Park, estádio do Borussia Monchengladbach. Na verdade, praticamente todos os estádios da 1° divisão alemã possuem tal setor (e com o uso de bandeiras e instrumentos musicais permitidos) e é justamente esse exemplo que, para muitos, se encaixa com o perfil brasileiro.

Todavia, se analisarmos outro local do continente, existem visões diferentes sobre o assunto. Na Inglaterra, os estádios são conhecidos por terem somente cadeiras e torcedores tidos como "ricos", onde os ingressos são caros e há pouco espaço para os populares. Tal política já é discutida internamente e a questão de alterações nesse sentido ocorrem principalmente em Anfield Road, estádio do Liverpool

Nesse contexto internacional, o dito padrão "FIFA" do Beira-Rio vai ao encontro do que quer o sócio Colorado (ou de quem ocupa aquele setor)? Precisamos ter um estádio com 100% de cadeiras?

O "slogan" de Clube do Povo é uma realidade nas ações do clube? Há algum debate com a torcida sobre o uso do estádio?

São perguntas como essas que a página Colorada quer realizar com a torcida, mas sem ficar em cima do muro.

Neste semana o SCI anunciou em seu site oficial, que deu "mais um passo importante para a retirada das cadeiras de parte do setor sul do Estádio Beira-Rio, ao se reunir o presidente Marcelo Medeiros - acompanhado do 2º vice-presidente Alexandre Chaves Barcellos e do vice-presidente Jurídico Gustavo Juchem - se reuniu, na sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul, com representantes dos principais órgãos do Estado para debater o tema.

A explanação do Presidente colorado sobre o projeto para a área livre de cadeiras teve atenção por todos os presentes. O representante do Corpo do Bombeiros, colocou-se à disposição do Clube para auxiliar na elaboração do projeto de viabilidade, para que todo o trâmite esteja de acordo com as exigências para a adequação do local. Já o Promotor de Justiça disse que o MP é sensível à demanda da torcida do Internacional e, em conjunto com o clube e os demais órgãos de fiscalização, fará um esforço para viabilizar a criação do espaço.

Após o debate com as autoridades, a continuidade do processo se deu em reunião com o vice-presidente de Patrimônio do Clube Léo Centeno Júnior. Pelas mãos do Engenheiro da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) Bernardo Tutikian, especialista em Estádios e Projetos, foi apresentado o plano que viabilidade da retirada das cadeiras do setor Sul.

Tendo em vista o anseio da torcida colorada e sabedor da importância do feito para que nosso estádio pulse ainda mais contra nossos adversários, o presidente Marcelo Medeiros pediu agilidade no andamento do processo."

Ao portal Somos Coloradas causa certa estranheza a "delonga" sobre o assunto, visto que estádios de outros grandes clubes brasileiros possuem estes espaços (Arena Corinthians, Arena OAS/Grêmio)  e são, em 100% dos casos, o setor com maior porcentagem de ocupação.

Embora muito se discuta a questão estética, o primordial, sem dúvida, segue sendo a prática: os colorados do Portão 7 e arredores já assistem de pé e quem deseja torcer sentado não estará perdendo "direitos", muito pelo contrário, iremos incluir no estádio a opção de quem hoje, não tem esse direito. Também ganha-se a vantagem de não precisar gastar com a manutenção da troca de cadeiras, mas, sobretudo, em ter um Beira-Rio com a cara do Internacional: democrático, de todos, e com alma. 

Essa é a posição da Equipe do Site, que por vários anos acompanha o clube e sua torcida, e se vê cansada na "enrolação" de um assunto que desde o 1° dia de projeto já deveria ter sido feito e encaminhado.  

Ganho de espaço

Segundo o vice de relacionamento social, Norberto Guimarães, em entrevista ao jornal Zero Hora ano passado, o assunto é um dos mais solicitados entre as mais diversas camadas:

"É uma demanda que vem de fora para dentro. E não partiu de torcidas organizadas, como muito pensam. Recebi pedidos neste sentido de 90% de torcedores, principalmente nas direções regionais dos consulados".

Aproximadamente 2,5 mil novos lugares poderão ser criados. Depois, caso haja sucesso, o projeto pode se expandir para o outro lado, atrás da goleira do Gigantinho. A atual capacidade do estádio é de 50.128.

Neste momento, há uma pequena área sem cadeiras no Beira-Rio. Ela fica atrás de uma das goleiras e sua capacidade é para cerca de 1 mil torcedores, mas foi dimuída recentemente. O projeto é ampliá-la para entre 4 e 7 mil pessoas. No lugar dos assentos, seriam instaladas barras de contenção. Além disso, como aumenta a capacidade geral do estádio, é preciso fazer novos estudos de evacuação de público em emergências, de prevenção de incêndio e de segurança em geral. Talvez seja preciso alterar a altura dos degraus da arquibancada, já que as pessoas estarão torcendo em pé.