Com a grande missão de se recolocar na primeira divisão do futebol brasileiro, após um 2016 de muita turbulência dentro e fora de campo, quando teve nada mais nada menos que quatro treinadores sob o comando da equipe, o Internacional agora aposta em Antonio Carlos Zago para ter dias melhores e apagar o período mais nebuloso do clube dentro de sua história vitoriosa e centenária.

Um dos grandes zagueiros do cenário mundial nos anos 90, Zago, apesar de ser um treinador jovem, coleciona vários tipos de vivência dentro do futebol. Se viu, logo após o término da carreira, aceitando o desafio de ajudar o Corinthians a superar uma Série B como diretor técnico. Ainda sem a preparação necessária, foi treinador de São Caetano, Palmeiras, Grêmio Barueri, Audax... Até que, em certo momento da vida, precisou parar, pensar e chegar a conclusão que só a prática do campo não o faria vencedor na nova profissão: "Na verdade qualquer jogador pode pensar que, assim que acabar sua carreira, pode ser treinador, diretor... Mas isso é impossível", garante ele, que foi auxiliar-técnico do Shakhtar-UCR e Roma-ITA.

 Nessa longa entrevista exclusiva ao blog do jornalista @rnato_rodrigues da ESPN, o treinador colorado ainda fala da final contra o Novo Hamburgo, das ideias e o do modelo de jogo que deseja implantar no Inter, os planos para Cirino e Potker e também dos problemas que as trocas de treinadores no Beira-Rio influenciaram para o rebaixamento da equipe. Também revelou se inspirar e trazer muitos aspectos do futebol italiano para sua carreira e também sobre o desabafo de Eduardo Baptista, agora ex-treinador do Palmeiras, que se viu exaltado em uma entrevista coletiva após vencer o Peñarol, no Uruguai. Confira na íntegra:

 Como tem sido essa semana antes do jogo contra o Novo Hamburgo? O quanto é importante ter um tempo livre assim de treinamento, coisa rara no calendário brasileiro? No que você tem focado?

Você consegue trabalhar algumas coisas com relação ao adversário, né? Importante ter a semana mais livre. Você consegue descansar mais os atletas, fazer treinos que não consegue fazer desde a pré-temporada, por conta do tempo. Até a semana passada, até o jogo da semifinal, nós desde o início do ano tivemos uma ou duas semanas livres para fazer isso. Ainda tivemos uma pré-temporada mais curta. Então foi difícil para reconstruir a equipe, passar nossas ideias... Nessas horas a gente, por conta de toda a dificuldade que o Inter passou no ano passado, tentamo ir mais na conversa, com vídeos e um ou outro treinamento mais aprofundado que a gente consegue fazer.

Com todas essas dificuldades de tempo, em qual estágio você vê o seu trabalho hoje no Internacional? Já consegue visualizar algumas questões do seu modelo de jogo? O que ainda falta de comportamentos individuais e coletivos?

Vejo que estamos avançando bem. Melhores do que o início do ano, buscando mais. A pré-temporada foi curta, mas conseguimos aproveitar os 15 dias antes do primeiro jogo. O modelo de jogo eu procurei encaixar dentro do que são as características dos jogadores. Hoje a gente tem atuado em um 4-3-2-1. Na maioria dos clubes que eu dirigi busquei jogar no 4-4-2 ou no 4-2-3-1. Gosto dessas variações que no final me possibilitam usar duas linhas de 4. Não consegui utilizar estes sistemas, mas a gente sabe que tem que levar em conta as características dos atletas. Acho que a gente tem evoluído bem. Acho que estamos em um estágio avançado porque ninguém esperava que chegássemos na final do Campeonato Gaúcho, que passasse pelo Corinthians na Copa do Brasil, bem na Primeira Liga... Estamos trabalhando forte para ir avançando. Temos que chegar bem para o principal objetivo da temporada, que é voltar para a primeira divisão. Estamos, aos poucos, colocando todo elenco junto. Cirino já está aqui. Potker chega nas próximas semanas. Com todo mundo no elenco, vamos trabalhar para encaixar ainda mais e chegar forte na Série B.

Você teve muita dificuldade para colocar suas ideias por conta de uma temporada passada com muitos treinadores? Acha que essa troca de treinadores, que ao mesmo tempo teve uma sequência de rupturas de ideias, afetou o elenco? Como pegou estes jogadores que trabalharam em diferentes realidades em um só ano?

Na minha opinião, essa sequência de trocas no comando do Internacional, que aconteceu no ano passado, influenciou muito. Foi uma das causas para que o clube fosse rebaixado. Não tenho dúvidas disso. Foram praticamente quatro treinadores. No momento que o treinador começa a desenvolver, na hora que os jogadores passam a assimilar alguma coisa, era trocado. Falcão ficou aqui cinco jogos. Não dá para ver nada do trabalho de um treinador em cinco jogos. Não dá para mostrar quase nada neste tempo. Depois uma sequência maior com o Roth, que também saiu. Aí vem o Lisca para o final... Isso aí atrapalhou muito os jogadores. Quando a direção começa a trocar muito o treinador, ela começa passar para os jogadores uma relação de desconfiança. Passam a não confiar mais no trabalho da diretoria. E foi o que aconteceu aqui no ano passado. Alguns treinadores que passaram por aqui, até pegando o ano retrasado, tinham uma forma de trabalhar marcando individualmente. Encaixando meio de campo, linha defensiva... Zagueiro correndo atrás do atacante para lá e para cá. É uma coisa que a gente mudou esse ano. A gente trabalha marcando a zona, a referência é sempre a bola. Tentar sempre deixar a bola entre você e o adversário. A gente vem treinando muito em cima destes conceitos. Os jogadores, aos poucos, vão assimilando e melhorando.

O que você pensa para o Internacional este ano como modelo de jogo?

Eu penso muito visando o campeonato que temos pela frente, onde acredito que o Internacional, sendo uma das principais equipes da competição, vai precisar quase sempre propor o jogo. Buscando ter o controle da partida com a posse de bola. Se você pegar desde o início do ano até agora, na grande maioria das vezes a gente teve mais posse. Você propondo o jogo, tem que ter uma transição defensiva rápida e bem coordenada. Vamos acabar ficando mais expostos aos contra-ataques, não tem jeito. Atacar marcando, que é o que a gente passa muito para os jogadores aqui. Tentar neutralizar essas equipes que vão jogar contra-atacando a gente. Vai ser difícil alguém tentar outra estratégia contra nós. Ter uma transição ofensiva também. A partir do momento que nós sairmos na frente do placar, pode ser uma situação interessante. Então é isso que a gente vem trabalhando.

Como tem trabalhado a formação das duas linhas de 4 no momento defensivo? Em alguns momentos a segunda linha demora um pouco para se formar. Já detectaram isso?

Neste 4-3-2-1, os dois atrás do centroavante tem como referência os dois volantes adversários. O tripé mais atrás balançando, pegando as saídas dos laterais. É neste sentido que a gente vem trabalhando. Talvez haja uma mudança ou outra. Com as chegadas do Potker e Cirino a gente ganha a opção de jogar pelas beiradas, por serem jogadores de força e velocidade. Às vezes até alternar para um 4-3-3 ou 4-1-4-1 para marcar, já que são sistemas que se assemelham.

O quanto este sistema escolhido tem a ver com dar mais sustentação para o D'Alessandro jogar mais solto? Quem, neste caso, vai ser o cara com a função de fechar na segunda linha?

Dependendo da saída de jogo do adversário. Se eles saem pelo lado esquerdo, por exemplo, a gente coloca o volante do tripé fechando o lateral-esquerdo do adversário. Os outros dois de dentro fecham e quem estiver mais próximo, dentro destes dois caras que jogam atrás do atacante, fecha esse lado oposto da bola. Se estiver muito longe, esse cara do tripé do outro lado abre e esse jogador fecha por dentro para compensar e formar essa linha de 4. Então a gente vai variando, buscando sempre manter ela sustentada, mas evitando de fazer com que estes jogadores de frente corram sem necessidade e se se desgastem fisicamente.

Não é algo parecido com um losango no meio?

Às vezes aparenta isso mesmo porque o D'Alessandro tem muita liberdade de se movimentar e o cara com ele, geralmente atacante, avança um pouco mais. A gente dá essa liberdade para ele cair por vários setores. É o cara mais solto ali. Mas quando a gente se recompõem é ele ou o Nico, ou mesmo o Roberson, que acabam entrando e fazendo esse quarto homem do meio.


Cirino e do Potker são jogadores de velocidade e com fortes características para um jogo mais reativo. A busca por eles foi com que ideia? Acha que trazem mais profundidade ao elenco?

A gente vinha nessa busca de equilibrar o elenco antes mesmo do Cirino e do Potker. O Nico Lopez mesmo é um jogador que cresceu nos últimos meses. O Carlos, que se lesionou e está retornando, dá profundidade para nosso ataque. Temos o Diego, que é um menino da base, que vem evoluindo, treinando bem... Teve uma lesão também, perdeu treinos, isso influencia. Mas por outro lado temos os caras que seguram mais a bola. É o caso do Roberson, do D'Alessandro... Teve a chegada do Edenilson também, que dá um ritmo mais forte para a equipe. Estava no futebol italiano, onde colocam uma intensidade muito grande no jogo. Hoje temos boas alternativas dentro do elenco que nos faz ter esperanças de fazer uma grande Série B.

Foi falado no início do ano que você chegou a treinar com linha de três zagueiros. Aconteceu mesmo isso? Se sim, por que não foi utilizado nas partidas até agora?

Não, não foi bem assim. Algumas pessoas até comentaram sobre isso. Mas foi um treino que eu dei de superioridade numérica que causou um pouco dessa confusão. A gente fez 3 contra 2 e depois passamos para 4 contra 3. Foi neste momento que liberaram a entrada da imprensa. Aí se levantou esse entendimento de que estávamos treinando com uma linha de três zagueiros. A gente não cogitou isso ainda neste ano. Mas é um esquema que eu gosto. Joguei três anos com o Capello desta forma. Agora o Antonio Conte no Chelsea faz isso e é uma equipe bem ofensiva. Para o futuro a gente pode buscar algo parecido com esse 3-4-3. Não descarto. Mas por enquanto não.

Qual a importância do treinamento para você? O que mais busca neste momento? Que tipo de conteúdo você trouxe depois de sua passagem na Europa?

Primeiro que a gente tem buscado monitorar todos os treinamentos. A gente usa muito o analista de desempenho para fazer esse trabalho. Enquanto está rolando a atividade, ele está ali trazendo dados, acompanhando os movimentos, vendo a intensidade dos jogadores... Isso tem nos ajudado bastante. Eu cobro muito a intensidade deles. A gente planeja a semana como se fosse uma pirâmide. Iniciamos com os treinos mais fortes e conforme vai chegando perto do jogo vamos diminuindo a carga. Isso em uma semana cheia, claro. Essa semana mesmo na terça treinamos forte, quarta a gente aumenta. Na quinta nós abrimos mais o campo, fazemos mais coisas voltadas para o adversário. Na sexta diminui um pouco a carga. No sábado parecido, intensidade bem semelhante. Não sou muito adepto do rachão. Uma ou outra vez eu acabo fazendo. Até porque temos essa cultura aqui do Brasil de fazer o dois toques, a roda de bobinho... Claro que você pede mais movimento, para que a atividade ganhe mais intensidade. Tem que fazer assim, às vezes abrir mão do rachão se dá por você perder intensidade, vira um pouco de pelada. Até a concentração do jogo fica diferente quando você abre mão de um exercício mais sério. Tento levar aquilo que aprendi na minha carreira também como jogador. Dentro daquilo que eu estudei e acompanhei de outros clubes fora do Brasil e vem dando certo. Tivemos poucas lesões até aqui. Acho que o caminho está correto.

Você ficou muito tempo fora do Brasil, seja fazendo cursos ou mesmo como auxiliar de algumas equipes. Como tem visualizado o momento do futebol brasileiro? Acha que estamos em um momento de ruptura?

Acho que a questão tática, principalmente depois de 2014, tem crescido. Tenho visto que quase todo mundo começou a se movimentar. Treinadores buscando se atualizar dentro do que tem acontecido no futebol. É lógico que temos um calendário bem diferente do europeu, mas na minha opinião a parte tática aqui no Brasil ainda é bem aquém do que há de melhor lá fora. Os jogadores de lá chegam em um clube e não levam tanto tempo para entender e se adaptar à parte tática. Não podemos fazer isso aqui no Brasil? Por que não cobrar mais dos atletas isso? Cobrar também dos nossos treinadores. Todos temos que melhorar. Antigamente a gente tinha estes treinadores trabalhando em cima da parte técnica, buscando potencializar os jogadores que faziam a diferença. Hoje eu já acho que o treinador contribui muito mais coletivamente, durante a semana de trabalho, que para mim é a maior parte, e também dentro das partidas. Houve um crescimento nisso nos últimos anos, isso é nítido. Pessoal está buscando novas ideias. Temos um curso na CBF, que apesar de ainda não ser o ideal, já é importante. Dá para você ir buscando alguma coisa online também. Atualmente é mais fácil um de nós ir para a Europa. Então é bom que alguns façam isso. Não acho certo o cara ir para lá só para assistir jogos. Na minha opinião você aprende mesmo acompanhando o dia a dia. Ver a semana, o planejamento... Para mim o mais importante, sem dúvidas, é ver gente tentando se aprimorar dentro dessa profissão tão complexa que nós temos.

O quanto foi importante para você buscar todo esse conteúdo? Você foi um jogador de grande nível, jogou em grandes equipes... Já não poderia ter sido o suficiente? Por toda essa convivência que você teve com grande profissionais e em vários lugares?

Na verdade qualquer jogador pode pensar que, assim que acabar sua carreira, pode ser treinador, diretor... Mas isso é impossível. É uma diferença da água para o vinho você jogar e treinar uma equipe. É muito diferente. Todo ex-jogador que quiser virar treinador precisa se aprimorar primeiro, estudar... Tem que buscar a parte teórica. Mas também sou contra vários treinadores que só estudaram e não tiveram a vivência, que nunca jogaram. Então precisa buscar isso, ter um certo tempo para praticar e viver. Passar por um processo de dirigir uma categoria de base, ser auxilar de treinadores com mais experiência, para aí sim depois ser treinador. Falo dos caras que nunca estiveram dentro de campo, mas que também tem toda condição de chegar a ótimos níveis. Sempre é preciso equilibrar. Para o cara que tem a prática pela vida inteira às vezes falta a parte teórica. O que é bom de teoria não tem muita prática. Isso é normal. Por isso existe o estudo e também esse processo de amadurecimento na sua vida. Eu tenho essa ideia, de crescer, de buscar mais... Tudo precisa ser complementado.

Como você encarou o desabafo do Eduardo Baptista? Apesar das queixas dele ter um direcionamento específico, se discutiu muito a forma como a imprensa trata o futebol atualmente.

Eu penso que a gente não pode radicalizar dentro de nenhuma profissão. Acho que tem gente competente na imprensa para analisar uma partida de futebol. Concordo com ele na questão da fonte, de não revelar... Às vezes os caras criam caso onde não tem. Criam pelo em ovo. Acho isso errado pelo fato de acabar expondo o treinador. Tem que dizer sempre a verdade. Vejo muitos repórteres, quando vão fazer uma análise do jogo, sempre fazem em cima da questão individual. Não se apegam à questão coletiva, da parte tática, que também são importantes. Neste caso acho que precisa ter uma preparação melhor. Às vezes a preocupação é porque se colocou o João e não o José. Se você pegar a maioria das entrevistas coletivas as perguntas são quase sempre assim. Aí você fala que o João treinou melhor e acaba passando por antipático. Tem também a questão de que fulano jogou mal. Mas aí você tem que levar em conta que pode ser um dia ruim do cara. Mas é normal que um jogador uma hora ou outra vá jogar mal. Ninguém joga bem sempre. O cara precisa se empenhar dentro de campo. Mas no geral eu acho que estamos melhorando. A questão do Eduardo foi um desabafo mesmo. Foi daquilo que ele encarou como uma mentira que colocaram em seu elenco. Tem o direito dele. Mas todo mundo vem melhorando, inclusive a imprensa. Você vê a cobrança com relação aos treinadores com mais profundidade. As coisas estão mais profissionais e embasadas.

Costuma assistir futebol internacional? Qual a liga que você mais gosta?

Todo mundo gosta muito de ver a Premier League. Tem grandes jogadores lá, realmente. Mas eu gosto muito do Campeonato Italiano. Eu joguei muito tempo lá. Depois fui auxiliar por um ano, fiz os cursos tudo na Itália. Na minha opinião é o lugar que os treinadores estão mais preparados taticamente. Vejo jogo do Crotone, Sassuolo, Genoa... Estou sempre atento a isso porque sei que são caras que se prepararam, alguns até fizeram os cursos comigo lá. Sempre aparece, em termos táticos, algo novo. Se a gente for ver hoje o melhor treinador europeu é italiano. O Conte chegou na Premier League e é líder jogando com esse 3-4-3 que vira linha de 5 atrás. Varia bastante. Ele mudou muitos conceitos que tinham na Inglaterra colocando três zagueiros e fazendo o time jogar bonito, para frente. Gosto do Campeonato Italiano por achar ele mais competitivo. Vejo mais entrega em campo. O futebol espanhol, por exemplo, eu não gosto muito. Acho que deixam jogar mais, não marcam tanto. Não tenho como exemplo o Barcelona porque acho que ali é um caso à parte. Tem jogadores que se conhecem desde criancinha, por isso fazem o futebol que fazem. O futebol italiano, sem dúvidas, é o que mais agrega à minha carreira.

Vivemos uma onda de melhores resultados para quem pratica um futebol mais reativo? Como encara essa tendência?

Eu acho que é cíclico mesmo. Mas eu, desde a época que jogava, eu sempre gostei de controlar o jogo tendo a bola. Claro que você ter sempre maior posse de bola não quer dizer que você vai vencer sempre. Mas se você souber verticalizar na hora certa, saber fazer os movimentos corretos dentro do campo, acho que dá certo. No Juventude mesmo eu trabalhava isso. Lógico que quando você enfrenta equipes maiores você muda um pouco a estratégia. De esperar mais, sair rápido. Mas a posse de bola, quando bem feita, organizada, acho que contribui bastante para uma equipe conquistar grandes resultados. Tem a questão da bola parada também, que você tem que se preparar cada vez mais. Mas eu sempre deixei claro que eu quero minhas equipes vencendo jogando com a bola, em uma jogada trabalhada, com apoio, aproximação... Prefiro ganhar assim do que com uma bola de escanteio, por exemplo. Muitas vezes você vence assim mesmo tendo feito uma partida desastrosa. Eu prego sempre pelo bom futebol. Às vezes pode não dar certo, mas é o que eu procuro passar para as minhas equipes. Quero sempre ter a bola.

O que é jogar bem para você?

Jogar bem para mim é um resumo do que eu falei até aqui. É você ter a posse de bola, mas não a posse sem objetividade. É os jogadores fazerem os movimentos corretos, colocarem em prática tudo aquilo que você trabalha durante a semana. É fazer bem tudo que você colocou como ideias para sua equipe. Na primeira final contra o Novo Hamburgo, por exemplo, tivemos 71% de posse de bola. Nós jogamos no campo deles. Quase 50% da posse foi no campo do adversário. Então você estava ali, jogando, buscando... A gente perdia a bola e com uma transição rápida a gente já recuperava. Tivemos o controle sempre, dentro do campo deles. Mas aí tomamos dois gols de bola parada. Finalizamos mais, mas não fomos tão efetivos. Mesmo assim acho que fizemos uma boa apresentação.