Texto por Colaborador: Redação 06/04/2020 - 10:12

A rádio Gre-Nal conversou na manhã desta segunda-feira com Dunga, ex-jogador do Inter e capitão do Tetra na Copa do Mundo de 94. Ele respondeu as perguntas sobre como tem ajudado na crise do Coronavírus e também sobre temas relacionados ao futebol. Confira os principais trechos.

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Sobre a crise do Coronavírus: "Esse é um momento de se unir para ajudar as pessoas. Eu converso todos os dias com o Tinga pra alinhar essas ideias. Até ficamos tristes pois a gente queria ajudar mais pessoas. Eu saí de um churrasco ontem muito triste, pois lembrei que muitas pessoas que torceram muito por mim estavam sem ter o que comer. Na mesma hora mobilizei meus amigos e levantamos um número grande de alimentos pra ajudar."

"Tenho alguns parceiros na CEASA que me ajudam todas as semanas com essas doações. Estamos definindo estratégias de entrega. Tem muitos problemas burocráticos pra doar. Uma série de itens que temos que seguir. Estamos usando luvas e máscaras, mas pedem álcool em gel também, só que isso não temos como doar. Penso que se a pessoa não vai ajudar, também não atrapalha."

"Aqui onde eu moro vejo pessoas que estão trabalhando na rua, comendo na calçada. Não tem ninguém pra orientar isso. Mas nos restaurantes pedem pra afastar as mesas e outras medidas. Acho que temos que ter preocupações com todos."

Sobre o Inter: ""Acho que o Inter ainda faz um pouco de força pra chegar no ataque. Explico comparando com o Flamengo, que quando chega, é letal. Não é sempre que goleia, mas quando ataca, faz gol."

Sobre os treinadores: "Os treinadores fecham os treinos pra esconder as fragilidades. Os técnicos se moldam as fraquezas dos jogadores, quando que, na verdade, os jogadores que deveriam aprender e melhorar."

"Todo mundo quer jogar igual, mas não tem como. Nem todos os times tem um Mauro Galvão ou um Adilson Batista pra sair jogando de trás. Nem todo goleiro sabe jogar com os pés. Cada time tem que explorar as suas melhores características."

"Fica todo mundo falando de 4-4-2, 4-2-3-1, pois assim é mais fácil comentar. Só que isso se modifica em um movimento dos jogadores. Quero ver comentários sobre o gesto técnico dos jogadores. A qualidade de cada um."

"Falavam tanto que eu só sabia marcar, que eu acabei acreditando. Eu pegava a bola e entregava. Mas eu comecei como meia, articulador, que batia muito bem na bola."

"Os assessores agora escutam as críticas e passam para os jogadores. Isso cria uma situação e faz com os que líderes do futebol não se exponham mais como antes."

"Quero salientar que o Tinga e eu temos uma equipe muito boa que está nos auxiliando e colaborando muito nesse trabalho de ajudar as pessoas. Tem muita gente nos auxiliando. É uma grande rede do bem."

Sobre a Copa 1998: "Ninguém sabe exatamente o que aconteceu com o Ronaldo. Mas a real mesmo é que a #França foi melhor e mereceu vencer. Em 1994, a gente ganhava sem fazer tanta força. Em 1998, a gente chegava no nosso limite pra vencer."

Sobre Ronaldinho Gaúcho: "Foi um monstro como jogador. Eu sinto muito esse momento dele, pois é uma referência para os brasileiros, para as crianças. Quero que isso se esclareça e ele possa voltar logo a sorrir e fazer todo mundo sorrir também. Falam muito dos dribles que eu levei do Ronaldinho. Eu era um jogador de marcação, levei dribles de muitos craques, pois joguei contra vários. Se eu ganhasse sempre nessas disputas, eu seria o Beckenbauer."

Sobre Neymar: "É o momento oportuno pra ele ser o melhor do mundo. Ele já fez muitas coisas boas e muitas erradas. Não pode errar mais. Segundo os italianos, ele está na idade do auge. Talvez seja a hora dele."

"Quando não se dribla, pedem drible. Quando se dribla, pedem pra tocar. Então, é complicado. Mas o Neymar amadureceu muito, ele procura mais o gol. É um menino que tem muita qualidade."

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