Texto por Colaborador: Redação 18/10/2020 - 00:00

Foi no Vasco que Thiago Galhardo começou a colher os frutos de uma mudança progressiva de posição que o transformou no atual artilheiro do Brasileiro, pelo Internacional, com 13 gols. Os clubes são adversários às 18h15 deste domingo, no Gigante.

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A passagem por São Januário, equipe onde mais atuou em dez anos de carreira — 52 jogos em 15 meses — ficou mais marcada pela saída conturbada do que pelas nove vezes que balançou as redes. Contudo, pode ser considerado o "pré-sal" de um DNA de goleador, que faz com que Thiago, 31 anos, já tenha conversas com o Inter para ampliar o contrato válido até o fim de 2021.

— (A boa fase) passa também por um amadurecimento, ele está consciente de que precisa encerrar ciclos. Foi uma das coisas que a gente falou. Tem que viver esse momento. Surgiram algumas sondagens, mas acabou ficando, e vai ficar — afirma o diretor do Inter, Rodrigo Caetano.

Conhecido por ter abandonado emprego público na Petrobras na época do descobrimento das camadas mais profundas de petróleo na Bacia de Campos, em 2008, para tentar a vida de jogador, mesmo sem categoria de base, o carioca nascido no Grajaú, mas criado em São João del-Rei, Minas Gerais, venceu a resistência do pai Moacir, o Cica, funcionário público da Vale, e preocupado com a estabilidade financeira, e acabou abraçando o sonho com ajuda da mãe, Valéria, formada em Filosofia.

Thiago queria fazer faculdade de Fisioterapia. Quando passou no concurso, a mãe foi com ele ao Rio, onde descobriu que precisaria fazer um treinamento em tempo integral para ficar embarcado. Ao mesmo tempo, surgiu um teste na Portuguesa do Rio, que acabou transferido para o Bangu. Thiago passou.

— Era uma escolha pessoal, era a vida dele. Ele não era mais criança. Disse que apoiaria ele em qualquer decisão. As pessoas do convívio falavam que era uma loucura — conta a mãe de Galhardo, que largou duas matrículas públicas em São João para acompanhar o filho no Rio.

Questionado se ter começado a jogar com 20 anos depois de largar um emprego público ajudou ou atrapalhou, Galhardo é enfático:

— Com certeza ajudou, porque se as coisas não tivessem acontecido dessa forma eu não teria o grande aprendizado e exemplo que tive ao ver a minha mãe abrir mão da própria vida e dos sonhos dela para viver os meus, tudo isso por amor a um filho. Não tem nada no mundo que signifique tanto para mim — explica.

Aposentado, o pai de Thiago até hoje é elogiado pela habilidade nas peladas. Moacir tentou a mesma sorte no futebol, no Atlético-MG, mas não conseguiu se destacar. Por isso, o pé atrás com o dilema do filho.

Engajamento e investimento no pós-carreira

Em Porto Alegre, Galhardo conseguiu aflorar sua forma de ser sem acabar tachado como no Vasco. Procurou ajudar algumas causas, como na comemoração em libras para a torcedora Liliana Kruger. O engajamento e a preocupação com os outros é marca da família. No Vasco, Thiago ajudava funcionários sem dinheiro a ir trabalhar de ônibus.

Outro aspecto interessante é o investimento no pós-carreira. Com segundo grau completo, o jogador faz faculdade de Educação Física à distância. Está no terceiro período. E também cursa inglês.

— O melhor entendimento da profissão e a maturidade tiveram um peso enorme positivamente na minha carreira. Meus filhos também são muito importantes nisso tudo. Eu coloquei na cabeça que seria um exemplo positivo para eles, que quando eles fossem pesquisar sobre a carreira do pai que encontrassem motivos para se orgulhar. E isso que eu levo comigo e que é o meu combustível para seguir dando o meu melhor em todos os sentidos — diz Thiago.

Versatilidade marca evolução tática

O fim da história todos conhecem, mas não o meio. Sob o comando do técnico Zé Ricardo no Vasco, Galhardo teve escalações como meia ofensivo, armador um pouco mais recuado e segundo atacante, posição que ocupa mais frequentemente nesta temporada.

Entretanto, a subida ao ataque teve origem na Série D. Quando defendia o Brasiliense, em 2014, o agente e mentor do jogador, Flávio Trivella, convenceu o técnico do Madureira, Toninho Andrade, a dar uma chance a Thiago, então com 26 anos, mais adiantado. Na época, ele atuava como segundo volante.

— Ele tinha que jogar na zona de resolver. Desde ali a gente começou a combinar. Se você começar a fazer gols, vai pra Série A — conta o empresário.

Dito e feito. Com 5 gols e 7 assistências nos 14 jogos que disputou no Estadual daquele ano, Galhardo foi contratado pelo Coritiba. Mas antes já havia atuado em clube da primeira divisão, o Botafogo, em 2011. Desde então a carreira desandou, com experiências no norte do país. Andarilho ainda novo, tinha dificuldade de encerrar ciclos. Foi assim no Coritiba, de onde saiu emprestado para Red Bull, Ponte Preta e depois para o Japão.

— Foi lá que evolui meu entendimento e que ganhei a maturidade que eu precisava para dar um salto na carreira — diz Thiago.

No Brasil, o salto veio no Ceará, que o acolheu após saída do Vasco. Foi lá que mais solto, com mais liberdade. Até como centroavante, se revelando artilheiro. Fez 12 gols.

— Em determinando momento ele começou a jogar mesmo como um atacante. Ele tem muita qualidade na definição, cabeceia bem ofensivamente. Tem tranquilidade para terminar as jogadas. Quanto mais perto do gol, mais chances de marcar — lembra Enderson Moreira, técnico na ocasião, hoje no Goiás.

Adepto do jogo posicional, o treinador obrigada Galhardo a trabalhar nas entrelinhas, sem exercer o cacoete de volante de voltar para buscar as jogadas. No Inter de Coudet, chegou jogando como segundo homem. Mas muitas das vezes joga fixo fazendo pivô.

— A gente viu nele um atacante —, resume o diretor Rodrigo Caetano, que monitorava Galhardo desde o Vasco. Com pulso firme, o executivo integrou um atleta de personalidade forte a um grupo experiente.

Fonte: O Globo Online

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