Texto por Colaborador: Redação 21/06/2021 - 05:00

Sem grande entusiasmo, parte de nossa equipe avaliou a escolha de Diego Aguirre para comandar o Internacional até o fim de 2022. Visando sempre expor argumentos e pontos de vistas, confira o que foi dito em nosso "boteco virtual", não esquecendo de deixar o seu comentário logo abaixo. Vamos ao que interessa?

Ariel: "O Inter anunciou o seu novo treinador. No contexto do clube na busca de um "novo modelo" de futebol, não considero o Diego Aguirre efetivo em nenhum dos aspectos do que seria esta mudança para uma equipe mais propositiva.

A escolha da diretoria já me pareceu algo sem alguma coerência do dito planejamento, mas considerando o fato que o objetivo era corrigir o rumo em "curto prazo" como afirmou um dirigente na saída de Ramírez, assinar por 2 anos com um treinador que nunca passou de mediano e nunca teve trabalhos de longa duração em outro clube poderá ser outro erro que custará novamente caro aos cofres do clube.

Aguirre ao meu ver está longe de ser um treinador da primeira prateleira do mercado, mesmo que isso não seja uma confirmação de êxito e sucesso, a escolha apenas me mostra um clube perdido, indo por caminho confuso e sem coerência, onde reforços para a defesa nunca vieram e jogamos com zagueiros medíocres, onde o chileno Carlos Palácios foi comprado e os jovens do setor ficaram sem espaço, onde um centroavante peruano não foi mandado embora e desrespeita o clube e a torcida, enfim....

Torço para que o Aguirre possa dar mais equilíbrio ao time, principalmente na defesa, além de poder potencializar mais as características do elenco que temos, seja qual for o modelo neste momento. O time necessita ser organizado novamente, e fazer primeiramente o simples, e bem feito, para depois dar o segundo passo".

Alan: "Após nem um ano de gestão começo a me preocupar enfaticamente com a dificuldade da nova administração em agir de maneira coerente e simplificada.

Primeiro trouxeram Miguel Angel Ramirez - sim, propositivo e ofensivo - visando uma mudança de estilo no clube, agora, contudo, cientes de que não existem meios para tal, mantiveram o discurso trazendo um treinador que nunca foi propositivo, ofensivo ou com um trabalho que ofereça ao SCI o mínimo controle de bola no campo adversário. Então fica a pergunta, porquê diabos mandaram Abel Braga embora se o "projeto" podia ser rasgado quando conviesse? 

Havia dito no pitaco passado que nenhum dos nomes possíveis me animava, todavia, me incomoda que a direção colorada tente vender um peixe que provavelmente não será visto! Perto do anúncio oficial de Aguirre escutei na grande imprensa gaúcha que o uruguaio "sempre teve times propositivos, ofensivos", o que me deixou de cabelo em pé e dando sinais de um completo desconhecimento do trabalho do novo-velho técnico interista. Esse tipo de senso comum é preocupante pois escancara o quanto as pessoas por vezes não estudam os conceitos e os detalhes antes de emitirem suas opiniões.

Somando os dados de pesquisa trazidos na coluna anterior onde nomeava que além das esdrúxulas trocas mistas de escalação, falta de repertório a longo prazo e dificuldades em mostrar evolução após 3/5 meses, Aguirre sempre prioriza o bloco defensivo a tal ponto que seus jogadores costumam se exaurir atleticamente na obrigação de recompor quando contrapomos, por exemplo, equipes que utilizam sistemas de marcação que privilegiam a contra-pressão no setor onde a bola foi perdida: sua mentalidade coletiva, portanto, visa o reagrupamento tático e não o ataque ao adversário, causando teoricamente maior desgaste a longo prazo, afinal, em vez de recuperar 8 a 15 metros sem a bola é preciso fechar a linha em distâncias maiores e que muitas vezes encontram-se na outra intermediária. Tal estratégia dá aos seus times uma robustez muito grande a nível defensivo (mérito que não posso tirar dele) mas deixa suas esquadras sem dinamismo ou preparo para suportar os 90 minutos com intensidade, sendo controverso se é o seu preparador físico insuficiente ou seu planeamento tático inadequado para suportar um duelo até o apito final. Com a bola, suas transições são sempre diretas, objetivas, enquanto suas equipes sempre deixam a desejar no quesito poder de transição, elemento que tem faltado ao SCI há muitas temporadas mas que já se percebia pobre em 2015 e mesmo quando averiguamos um padrão análogo em suas outras equipes subsequentes.

Deste modo, creio ter trazido argumentos para deixar claro o que podemos esperar com a vinda de Aguirre, que não estão em paralelo ao dito por Alessandro Barcellos em sua curiosa coletiva de apresentação quase que "no Mundo da Lua". Há alguns pontos fortes no seu trabalho que facilmente podem ser vistos como sua grande liderança no vestiário, capacidade de, em pouco tempo, armar equipes minimamente consistentes e defensivamente seguras, no entanto, volto a desvelar: seu tempo de validade é curto, seu preço é muito alto (financeiramente falando e de legado) e vai totalmente na contramão do defendido pela gestão. Pode dar certo? talvez (e tomara que) sim, até porque nosso elenco é extremamente frágil e costuma se encaixar com equipes reativas. Porém, se o conceito desejado fosse o reativo, nem assim Diego Aguirre seria a melhor opção, já que o avalio como um nome nada mais do que mediano e que já recebeu inúmeras oportunidades em pelo três gigantes do continente, sem asseverar consistência nenhuma a longo prazo, sobretudo no Brasil. 

Minha escolha anteriormente era de Lisca por questões de puro pragmatismo financeiro e propósito. Mais ofensivo (o que se alia minimamente ao projeto de ter mais a bola a longo prazo) e mais barato (pelo que se sabe Aguirre pediu R$ 1 milhão no Corinthians, não devendo desembarcar em Poa por muito menos), o gaúcho provavelmente aceitaria um contrato de 6 meses, evitando o que meu colega disse acima no grande risco de repetir a insensatez de pagar uma multa de milhões por uma rescisão enquanto o clube está quase quebrado e não tem recursos para trazer um mísero zagueiro ou lateral. Mais à frente, haveria a grande vantagem de projetar 2022 com um leque muito maior de opções para a própria comissão técnica já que o mercado atualmente não proporciona treinadores de se encher os olhos.

Por fim, mesmo nunca defendendo nenhum grupo político clubístico revelo que votei na chapa de Alessandro para presidente na última eleição, todavia, estou cada vez mais preocupado com a enormidade de inconsistências que tem sido feitas em tão pouco tempo. Vou torcer muito para que tudo dê certo - pois aqui fala um colorado que jamais vaiou o time ou torceu contra seu próprio clube, não estou torcendo por "uma tese" mas somente somando razões para avaliar as decisões da direção até aqui - mas percebo lideranças neófitas possibilitando um ambiente interno péssimo. Espero estar errado mas tenho notado no Beira-Rio um clima de descomprometimento assustador (em parte quiçá explicado pelas inúmeras saídas e zero investimento em áreas chaves que deveriam manter um padrão de competitividade) cada vez maior que não se resume ao mero treinador ou estilo desejado, mas pode limitar em um nível macro qualquer trabalho a médio-longo prazo. Sem perspectiva de futuro todo o clube ou empresa (e sobretudo um vestiário) afunda e isso tem assombrosamente resumido o presente alvirrubro, ao passo que o vestiário Frederico Arnaldo Ballvé aparenta se desmanchar com tamanha improficiência. Talvez o nome do técnico seja, no momento, o menor dos problemas quando levamos em conta todos esse indicativos vindo das principais cabeças pensantes do clube. Se estamos lutando pelo Z4 até aqui não é por acaso."

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